segunda-feira, 20 de julho de 2009

temos sempre tempo

temos sempre tempo

o tempo
um tempo
com tempo
se é tempo

tempo que não tem conta

o momento
é o momento
só o momento
escreve o agora


Coronado, Abril2009,poema de Enlaçador Eléctrico

domingo, 15 de março de 2009

parecíamos pássaros voando

sentimento que resiste
nao é livre de gostar,
não é livre de amar.

se eu agora
me sinto triste
sempre sei que posso caminhar,

e de repente,
já não sinto mais tristeza em mim
observando as cores do céu e do mar.

mas é tão cedo ainda,
e tu precisas saber o que se passa
aí dentro no teu coração

e na razão
que te permite agir
sem medos e fronteiras para tua vida inteira.

chegou a hora de saber
sobre e quem realmente és,
aí dentro no teu coração,

o que queres,
o que sonhas para esta vida,
já definida antes de saberes quem és.

eu fui embora mas voltei
para sentir a viva magia
do teu coração.

tão leves e brilhantes,
parecíamos pássaros voando
livres.


Porto, Março2009, poema de Enlaçador Eléctrico

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

um soneto na brasileira


um mar entrou na minha toca
e não recusei a sua vontade,
mergulhei na onda da oportunidade
e deixei-me flutuar como maderia oca.

os meus olhos vão ao encontro dos teus,
não foges e eu não fujo, espero o reflexo,
um sorriso que abraça forte o coraçao perplexo
aguardando que as tempestades caiam dos céus.

assim como gira a roda do tempo mesurável,
assim como as ondas rebentam na areia,
meu coração aberto aguarda que fiques estável.

e a segunda vez não é como a primeira
e a oportunidade de amar as cores do céu
é sempre distinta, diferente... mas verdadeira.


Porto, Janeiro 2009, poema de Enlaçador Eléctrico

tenho tempo e um coração aberto



ainda é cedo

e nem tudo dá para ser explicado.

não estou preocupado,

nem tenho medo.

tenho tempo e um coração aberto.



Porto, Janeiro2009, poema de Enlaçador Eléctrico

domingo, 11 de janeiro de 2009

o presente é agora

O futuro é agora.

Esquece o passado,

o presente que se foi.


O presente é agora.

Agora é.

Já é.


Existem atracções nas janelas

que ainda não são compreendidas.

Quais brisas luminosas deixaram de se sentir exploradas?


Celestes corpos de redenções vividas

obrigam-me a recapitular os sabores,

gostos e sons de todas as orquídeas penetradas.


As apaixonadas batidas cardíacas

ficaram esquecidamente dormentes,

e organizam-se agora rejuvenescidas depois de serem magoadas.


Nascem pétalas das respirações profundas,

os gritos surdos por amores bailando de mãos dadas

em ritmos bravos cantados em varias vozes e tonalidades.


Vejo por entre todas as danças não dançadas

como ficaremos indiferentes ao passado,

essas danças que criam corpos soltos entre momentos, bailando.


E os que vão bailando escondidos entre muralhas?

Em compassos serenos e ajustados, quase lentos?

Quais cantigas e melodias que não serão sentidas?


Serão as filhas da cumplicidade corporal em doces e pausados movimentos?

E as cantigas que entre nós não serão cantadas?

Ah, essas são filhas bravas e espinhosas de ardentes e silvados sentimentos.


O futuro é agora.

Esquece o passado,

o presente que se foi.


O presente é agora.

Agora é.

Já é.



Coronado, Trofa, Novembro 2008, poema de Enlaçador Eléctrico