sábado, 5 de janeiro de 2008

sobem as bolhas da igualdade

na clareira do incenso,

vejo que sobem as bolhas da igualdade,

não me sinto totalmente preso,

nem me sinto em total liberdade.


na frente estão dois moldes apaixonantes

que se abrem em luz e energia,

como que dois fogos vibrantes

enlaçados entre os pólos da magia.


na língua de água que a Mãe lhes deu

dizem saber o que necessito do passado

gestos de quem quer realizar a paz que lhes prometeu.


ao sentir tamanha essência, desperto do sonho vidente,

terra, ar, fogo e agua,

elementos puros da natureza que em mim está presente.



Gourim,Serra da Arada,Outubro2007,poema de Enlaçador Eléctrico

é sempre, e sempre está agora

a Mãe alimenta as suas raízes
que permanecerão a crescer no tempo,
fruto da sua imensa vontade,
na hora do desafio da verdade
ou na hora do exercício da realidade,
no tempo assertivo ou em tempo de saudade,
que resvala em embaraço refluxo,
sincero, um abraço.

a ti, musa sinergética,irmã,
que ao som da vida vai bailando,
pula ela entre as mil linhas,
pula ela entre os mil traços,
estás rodeada por fantasmas,
fortalezas desnecessárias,
obras de arte atrasadas,
poemas não escritos e pinturas não pintadas.

uma historia que se não repete,
um acreditar, que se não mente
vive
na aurora e no crepúsculo absorvidos,
em sentimentos aprisionados,
atitudes infantis e sinceros embaraços,
borboletas em voos de águia rastejante
em passo lesto, frio, sufocante,
o desejo,enfim, escrito em mil linhas de mil traços.

nada mais desejaria
que não fosse dar um simples passo,
fazer uma historia para ti,
fazer uma historia sobre um pássaro,
que vive na libertação do que é real
e que acredita no que esta a fazer.
agora pois, só depende de ti,
da descida do espírito e do teu momento para a viver.

eu nasci com o vento colado no corpo,
sopra vento,
vento que sopra,
trás contigo a paz e o teu conforto,
sopra vento,
vento que sopra,
trás contigo o teu riso e teu o choro,
sopra vento,
vento que sopra,
trás o alimento à terra e ao coração dos homens livres,
sopra vento,
vento que sopra,
és minha Mãe, meu Pai, minha irmã, meu irmão.

Ora que trova,
hora que chove,
é sempre,
e sempre está agora.


Coronado,Trofa,Janeiro2008,poema de Enlaçador Eléctrico

rodeado pela vida e do que nela escrevo

mais um pássaro sem dono
que vai saltitando pelas estradas,
por caminhos descontínuos
em movimentos sinuosos
excitados até
os limites são excedidos
e até há janelas que se abrem e brilham,
será pois que a liberdade é o presente infinito?

a meu pé caminho para onde quero.
se posso ir contigo?
ultrapassar os muros,
renovar os mundos,
respirar contigo?
pois sim, todos os dias creio que sim pois,
que precisas de voar e experimentar a realidade dos teus sonhos
e sozinha dar o voo que só a ti pertence.

eu nasci com o vento
uma vontade de criar que arrepia o medo
convoca no total a inspiração
das musas
celestes
marias
mulheres, mães e irmãs
que carregam no ventre a alegria e o sofrimento
inerente ao meu nascimento.

nasci com o vento,
ultrapasso o tempo e vivo em movimento.

rodeado pela vida e do que nela escrevo.


Almendra,Vila Nova de Foz Côa,Dezembro2007,poema de Enlaçador Eléctrico